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Tênis esporte_personalidade

Published on julho 27th, 2016 | by Leandro do Carmo

Como no esporte, assim na vida

Você pode aprender muito sobre si e sua maneira particular de caminhar pela existência, observando-se durante a prática de um esporte, seja ele qual for. Sua lida com as situações que se apresentam durante um jogo ou mesmo uma atividade física solitária – sentimentos, atitudes, ações, reações e pensamentos -, são reveladores de seus modos de interagir em outras áreas da vida.

É interessante perceber-se na situação esportiva pois, por não ser tão determinante como outros assuntos considerados “sérios” – trabalho, relações pessoais e finanças seriam alguns exemplos -, pode ficar mais fácil se “desarmar” e olhar para o que acontece com mais isenção, menos paixão, e portanto sem mentir a si mesmo. Mas se acaso perceber que isto não é possível, porque você não admite perder uma partida esportiva, dando tudo até mesmo se for para se arrebentar, ou cantando a seu favor bolas ou lances duvidosos, isto será muito revelador também! Imagine como você se relaciona, então, quando as questões são outras, mais importantes que um simples jogo de lazer no clube?

Lembro-me de, certa vez, assistindo aos jogos de tênis de um amigo que passava por uma situação difícil na vida pessoal – que lhe causava muito estresse e ansiedade -, ter identificado uma atitude que ele demonstrava frequentemente em momentos difíceis nos jogos. Nessas situações era muito paciente, não se desesperava e ia trocando bolas sem tentar nenhum golpe drástico, arriscado ou definitivo, tentando ganhar consistência. Disse-lhe isto e ele reconheceu essa sua maneira de agir na quadra, assim se dando conta de que poderia lidar com a situação que enfrentava fora dela da mesma maneira. Foi o que fez, com muito sucesso.

Por outro lado um cliente meu, tenista também, estava com uma lesão de epicôndilo lateral, o conhecido e temido tennis elbow. Podia continuar jogando durante a fase de tratamento em que nos encontrávamos, já que estava respondendo bem e nada mais lhe doía na maioria dos golpes. Porém alertei-o a tomar cuidado e não tentar devolver uma certa bola difícil que exigia que se entortasse demais e arriscasse não acertá-la com o centro da raquete, o que poderia causar dor e agravar novamente a lesão. Acontece que não conseguia, quando se dava conta já havia feito a besteira – no afã de não dar o braço a torcer e não se sentir “por baixo”, humilhado, se entortava para tentar ganhar o ponto a todo custo e, assim, literalmente dando o braço a torcer! Sugeri-lhe olhar onde mais na vida tinha a mesma atitude, o que foi muito revelador.

Há também alguns perfis caricaturais, como por exemplo aquele esportista a quem apelidamos de “garfo”. Tenho certeza de que a maioria de vocês, leitores, conhecem esses tipos que criam fama nos clubes e rankings de academias de tênis. O que será que os leva a agir assim?

E os pais de crianças esportistas que fazem pressão sobre os filhos por performance? O que estão mostrando com isto?
Não há respostas genéricas, sob o risco de perdermos o que realmente está em jogo nos modos de ser de uma pessoa. Mas vale muito se aproximar de si mesmo desta maneira, por meio do esporte – aos poucos “fichas” vão caindo e você poderá reavaliar e talvez experimentar outros caminhos, dentro e fora da quadra.
Fica a dica!

maria-luisa3Maria Luisa Afonso de André, formada em Educação
Física e pós-graduada em fisiologia do exercício pela
USP, é especialista em Ginástica Holística e RPG.
incorpore@marialuisa.com.br
www.marialuisa.com.br


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